Ela colecionava bonecas de papel, e as escondia entre segredos e fantasmas. Guardava em sua casa agulhas, saudades e marcas do tempo.
Não temia a solidão, temia espaços pequenos e sujeira nos cantos. Temia também a sensação de perder o controle de seu próprio corpo, pois sabia que corpo é selvageria, que altura é vertigem e vontade de conhecer abismos. Ela não olhava para debaixo da janela. Preferia horizontes, e eu (ele), a queda.
Ele(eu) não colecionava nada, a não ser os próprios vicios, que assim como o ato de colecionar bonecas ou moedas, é uma maneira de sobreviver a si (ao mundo).
blog criado para compartilhar palavras, desejos, imagens, movimentos...Um blog de " " e de confissões. Um pouco de mim e de outros...
sábado, 28 de maio de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
para esconder vazios

Ele tinha a sensação que podia esconder seus vazios da mesma maneira que via em filmes de aventura. Imaginava que vazios podiam ser tapados como buracos em meio da floresta. Encheu-se de folhas. Escondeu-se atrás de papéis, que logo viraram palavras.
A sua-minha voz alegre contradiz toda minha-sua melancolia. Sorria como quem procurava algo, caminhava como quem se perde, chorava como quem se re-partia.
Sentia-se como rascunho. E era por isso, ele, sempre uma tentativa. Solidão é desenho rabiscado em pedaços do corpo. SOlidão é esperacinza. Solidão é desejo sem pontos. Solidão rasga______________________________
sexta-feira, 29 de abril de 2011
todo diario e uma falacia. Todo diario sonha em ser lido

"Para onde vão os trens, meu pai? Para Mahal, Tami, para Camiri, espaços no mapa, e depois o pai ria: também para lugar nenhum, meu filho, tu podes ir e ainda que se mova o trem tu não te moves de ti"
Essa noite tive um sonho estranho. Um sonho de gozo e de palavra. E como comum em sonhos, palavra e falo, em mim, penetravam. Misturo aqui sonho, realidade, diario parafrase e citacao;
Li num livro de capa bonita que a palavra ficcao vem de fingir.Entao por isso finjo/
Estou em Paris. E, sozinho, diante de uma janela olho para um mundo que me atravessa. Aqui e/esta passado e presente. Sinto a dor da bagagem carregada por horas em minhas costas; o peso da lingua. A lingua pesa e me faco entender pelos olhos. Estou em Paris como poderia estar no Rio de Janeiro, em Berlim, em Londrina ou em Marrakesh.
Meu peso e o mesmo. E se eu nada falasse, voce me compreeenderia? Fecho os olhos e desenho o caminho que meus gestos fariam se voce estivesse diante de mim. Desenho em meus pensamentos as colisoes entre meu corpo e o asfalto. Desenho a sensacao da minha boca diante da sua. Desenho quedas e aceno.
No sonho vejo seu rosto misturado ao de outros homens. Voce esta dentro e fora mim. Voce me oferece uma revista, assim, banal e poetico como o que e cotidiano.
Aqui em Paris, o ceu esta escuro e cinza; e eu penso em sair para comprar bananas. Viajar nao e chique, viajar me doi. Penso no amarelo da banana, mas me falta coragem. Me falta coragem de ver o que e real, que real nao vem de fingir, e que e do real que eu finjo. O real nos finca. Me falta coragem para comprar uma banana.
Li ontem, naquele seu livro preferido que Endecha e uma poesia que revela as dores do coracao. Conseguirei eu revelar alguma dor se nao escrever em versos?
quinta-feira, 21 de abril de 2011
carta poema a um senhor discreto

Depois de passar alguns dias entre trens e abismos,
decidi que tenho poemas para um livro
e que, de alguma maneira, cada um destes poemas
é uma carta endereçada
a um senhor discreto que, pouco a pouco,
me inscreve no olvido, ao Nada.
Depois de passar alguns dias enterrado entre espaços,decidi revelar a ele ou a você, em forma de meses, aquilo que nunca deixei escapar de meus lábios.
A esse senhor escrevo com letras de FORMA, com certa FORMALIDADE, de quem esconde pensamentos perversos, de quem esconde rasgões por debaixo da roupa.
O primeiro poema "JANEIRO" tem quase nada de beleza, pois nele o sol estala e aquece demais palavras ou vontades. Janeiro é um poema de quem não dorme, de quem não entende muito de verão.
Esse senhor pequeno discreto e de óculos, dificilmente muda a feição de seu rosto. Para ele entrego envelopes em cor parda, e a cada nova cartamêspoema tento me aproximar das veias saltadas de suas mãos. De olhos fechados suas veias e mãos atravessam meu corpo.
O poema FEVEREIRO é um desejo por carnaval, é um poema fantasia. A esse sonhor discreto peço apenas que compreenda que devaneio é também uma forma de sobrevivencia.
MARÇO ABRIL E MAIO foram mesespoemas de paralisia, pois com eles senti que minhas palavras podiam ser ausências, e era de ausências que esse senhor mais fugia.
JUNHO entreguei a ele um poema -envelope. Nele apenas uma folha vazia, e com ele todo o clichê conceitual que acompanhava meus pensamentos e minha espera.
Aos poucos esse senhor começou a me conhecer e reconhecer as pistas de meu amor-palavras. Antes de postar a carta JUNHO, recebi dele por mensagem, um recado dizendo que não aceitaria nem a palavra FRIO, nem INVERNO. Era como se ele descobrisse toda minha previsibilidade.
Não tive resposta, nem poema. O livro que agora escrevo, é um ano sem o mês junho. Fiquei um mês sem escrever.
A esse senhor discreto enviei juntamente com o poema JULHO pedaços de neve que viraram água.
AGOSTO foi o primeiro poema com humor, um poema chiste. De palavras e ditos populares. Cachorro louco, noiva e até desgosto se fundiram em rimas aparentemente pobres, mas com uma certa ironia. Não sei se você, ou mesmo o senhor discreto conseguem ver ironia que é essa dor de.
Dor de SETEMBRO
em cada lugar que procuro
tropeço nos mesmo buracos
viver é esse transito
entre vícios e colapsos
Sua resposta calou-me por mais um mês. Descrevo aqui, nesse livro, que é também de amor e vingança a sua mensagem: "não compreendo como tem coragem de rimar buraco com colapso"
OUTUBRO meu peito doia, e decidi que só iria escrever com rima. Dentro do envelope pardo, entreguei ao senhor discreto uma lauda de palavras que rimassem com OUTUBRO. Já não posso pronuncia-las
NOVEMBRO e DEZEMBRO enviei-lhe poemas com pedaços de minha pele. eram peomas de fim, e neles anexei dois de meus ultimos sonhos. Junto com minhas palavras envie-lhe meu corpo em forma onírica. NOVEMBRO E DEZEMBRO me expus em imagens.
O senhor discreto enviou-me numa maleta, em quase véspera de mudança de poema,digo, de ano, todos os meus envelopes e cartas, com um PEDIDO em LETRAS GARRAFAIS...
"NAO SUPORTO O PESO DE UM PAPEL"
amores liquidos
terça-feira, 19 de abril de 2011
Você - outdoor

O que se pode falar sobre a distância em cinco minutos? tenho exatos 3oo segundos pra tentar explicar ou me aproximar dessa linha que separa/separou eu de você, ou que separa tantas outras coisas. Distâncias mapas fronteiras. qual a distancia entre meus pulsos machucados e sua boca? A minha-nossa Distância tem fome e qualquer coisa de estanho. VocÊ não tem idéia do susto que levei ao sair de casa e ver seu rosto tão grande estampado/cravado naquele outdoor. Senti-me invadido. Minhas pernas paralisaram meus pensamentos. Parei por segundos na frente do outdoor, e aqui nao vem ao caso, dizer minha opnião sobre a tal publicidade que voce escolheu fazer, o que tenho urgência em falar é sobre o frio na minha barriga ao reconhecer cada pedaço de seu rosto. Enrubeci constrangido, como se todas as pessoas por perto adivinhassem o quanto você conheceu cada pedaço escondido de meu corpo em pedaços. aquela foto no outdoor me lembrou do seu gozo, da textura e da temperatura dele no meu corpo, da forma como você descansava ao meu lado cada vez que gozavamos. Lembrei que sabia de cor os caminhos de suas espinhas, e reconhecia cada fio branco novo nascido no seu cabelo tão jovem. Distâncias são dromedários. Meu desejo é deserto.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
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