domingo, 22 de julho de 2012

se.

Se tivesse a habilidade com as palavras descreviria paisagens internas e construiria imagens que se dissolviriam em pensamentos e em sintaxes. Se soubesse escrever falaria da forma como um peito pode afundar em direção a coluna vertebral
Talvez pudesse contar uma história simples, de alguém que na dificuldade em encontrar um sentido se ocupa de coisas simples como passear com seu cachorro e arrumar gavetas. Ordenar gavetas é uma maneira de se manter em pé.
Angustia é ferrugem colada ao peito, é o coração tentando espaço para existir entre tantos órgãos e contradição. Exist-Ir entre visceras.
A inabilidade com o alfabeto impede-me de dar um passo em direçao ao que é estranho.
Escrevo com desejo sincero de fazer saltar palavras/soluços, para tocar o som da água que transborda. Inscrevo para ser lido.
Nele nada transborda. Corpo concreto. Cimento só existe se ouver líquido. Não falo de água, pois tenho medo da redundância. Falo de cimentos.
Se soubesse ordenar palavras destruiria pedaços de experiencias, reconstruiria alguns encontros. Se soubesse tecer narrativas vingaria-me. Escreveria poemas em forma de chutes. Tocaria seus olhos, ou afundaria minhas unhas em sua carne. Inventaria narrativas que te levariam para lugares escuros, que jamais permiti ser visto. Se fosse me dado o direito às letras, inventaria palavras ou escreveria um livro com meio e fim. Não daria nenhum começo.
Começos desconhecem intimidade.
Se soubesse escrever enviaria cartas. Se soubesse escrever agrediria (teus) ossos.

sábado, 16 de junho de 2012

Ovo frito

A seu pedido recomecei a escrever. Tenho medo, quer que eu lhe mostre? pergunto eu, menino, enquanto me equilibro na gangorra. Gangrena. Faz sol aqui, e é tão bonito. Não o sol, que amortece e estala meus pensamentos. Ovo frito. Bonito é vento, pois não o vemos. Vento é vazio que não nos espanca.
Até aqui, digressões.
A seu pedido recomeço a escrever. Como ainda não me sinto intímo com as palavras escrevo com roupas escuras. Nu é o que a gente rabisca. Recomeço. Escrevo a seu pedido como forma de tocarver fantasmas. Preciso ter certeza do que "eles" são feitos, por isso olhos abertos.Nunca acreditei em fantasmas de lençóis, mas há dias deito-me no chão. Retirei todos os lençóis do quarto e da casa. Joguei fora os remédios prescritos por Dr. Monte, na esperança de curar-me com os olhos. Vigília.
Há dias não durmo, e a cada minuto tenho mais certeza de que eles não são lençóis brancos, não são cordeiros, não são. Não os nomeio, mas sinto seu peso. Fantasmas têm ossos. Osso pesa.
Sei que perco meu tempo a olhar para o que você diz não ser real. Tento seguir seus conselhos, como forma de equilibrar minhas pernas. Deixei-os anotados no espelho do banheiro, na palma de minha mão esquerda, na caneca de café, e nas chaves de casa.
Dói meus olhos. tudo aqui estala. Ovo frito.

domingo, 10 de junho de 2012

Amor proparoxítona

O frio gélido do continente onde ele viveu deixou-lhe marcas nos gestos, pequenas crostas de neve em suas articulações que lhe impedem de mexer os quadris, de abrir os braços, de oferecer-me seu osso esterno. A forma como ele balança seu corpo é uma tentativa desajustada de abertura. O que nos une é líquido e cheira a suor. A exposição inocente de seus passos provoca-me um riso nervoso. Não lhe ensino a dançar. Ofereço o que em mim é quase carnaval.

Lista de supermercado

O que se deseja e o que não sossega. Os pés não sossegam. Acordei cordeiros. Pedi piedade e tranquei pés e garganta. Não falarei sobre amor. Não falarei sobre ausências. Esse texto nasce do desejo de se tornar/tomar distância. Diânsia. ânsia de modelo magra. ânsia de véspera. ânsia de criança faminta. ânsia de vômito. Não falarei sobre amor. Falarei de tantos outros clichês. Flores Choro Fluxo Fluxetina. Falar só sobre o que se suporta. Os pés. Estar em pé. Escrever como quem pede socorro. Como quem escreve e rabisca Como quem se atrai por gavetas. Escrever o que não se suporta como quem faz lista de supermarcado. - Errar - Perder-se - Perder a mão, os braços, a perna. Perder a noção, a loção, a cabeça. - `Perder o jogo. Perder a hora. A hora. Perder o que não se tem. Perder a mão, a mãe. - Perder o sono. Perder o remédio. Não há remédio. O sono se perde. Perde cordeiros. Pede paciência. Escrever o que não se suporta como quem faz lista de supermercado.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

os pontos de Alice.

Palavra dói como garrafa estourada no crânio, como pele queimada. Deitada na cama, Alice redesenha todo o trajeto feito antes do roubo, mas o que encontra pelo caminho são lembranças de coisas que já supostamente enterrou: cartas, uma dor no canto esquerdo do peito e um pedido dentro de um envelope - a linguagem. Não se trata de amor. Trata-se de asfalto. Alice não flutua mais. Alice

c
a
i

perde palavras e dedos. sangue não cura dor de memória diz o médico- "a palavra ameniza o que a linha costura." As pernas quebradas de Alice. Quebrante querência. Garrafa estourada. A linha costura______________________________________________________________.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

mon coeur au diner

La scène se déroule dans un coin oublié d’une grosse ville. Les personnagens ont le visage effacé par le temps . Entre une replique et l’autre les larmes des personnages coulent par le sol. Le narrateur de cette histoire est mort noyé. La lumière est baisse. Les personnagens sont habillés en tenue de fête. Ils cachent leur deuil en maquillage coloré.

Personnage 1- … Voilà
Personnage 2- … Quoi?
Personnage 1- Nous.
Personnage 2- Toi et moi?
Personnage 1- Oui
Personnage 2- E c’est à dire?
Personnage 1- Rien
Personnage 2- Et c’est tout ce que tu peux me dire?
Personnage 1- Peut- être
Personnage 2- Voilà
Personnage 1- Quoi?
Personnage 2- Nous
Personnage 1- Toi et moi?
Personnage 2- Oui
Personnage 1- E c’est à dire?
Personnage 2- Rien
Personnage 1- Et c’est tout ce que tu peux me dire?
Personnage 2- Peut- être

champ de bataille

Si le corps est un champ de bataille mes désirs ce sont de fusils qui pointent les espaces vides. La fumé remplit tous les trous existants dans mes organes. La peau foulée par tes mains, par ton poids m’a laissé des empreinteschagrins. J’attire ma chair contre la tienne. Je t’offre mes dents et mes peurs. Tu t’en vas avec l’eau qui ne tombe plus.