segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

le gouffre


Avant le precipice
Un pas perdu et
ton corps est tombé en laissant les empreintes dans mon sol
On s'est perdus

Un pas raté
le coeurgouffre nous a confirmé notre ENORME d i s t a n c e
un pas raté et on s'éloigne

Comme deux inconnus on ne s'est pas permis le touché
les mots
le manque

Un pas maladroit
le coeurbéton et tu t'en vas
je me reste, je me trace
notre amour est devenu "ça va"

mon coeur est devenu boiteux

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Para não me levar a lugar nenhum

Aprendi contigo o sentido etimológico da palavra seduzir e por isso ali,naquele exato ponto, cotidiano, de ônibus (a seu pedido coloco elementos urbanos em meus textos) não deixei-me conduzir. Paralisei-me por instantantes.O tempo justo de perceber a falácia de um discurso que deseja apenas admiração, que seduz. Estanquei-me. Meu sorriso, que até ontem era de uma sinceridade infantil coagulou como sangue de animal que morre.

Não deixei-me conduzir-me. Não preciso que me navegues, e meu desejo, era que partisse longe com seu barco, pois sabia (ainda a seu pedido, coloco um clichê em um texto meu)-

pressinto que seu barco é furado.Parto para minha minha casa com meu pequeno bote salva vidas.

domingo, 4 de setembro de 2011

Corpo de vidro

Pediu insistentemente para ser suportado, mas as mãos que o portavam eram lisas e temiam enormemente a possibilidade de contato, temiam a sensação de retorno.
Transparente como vidro, mudo de pessoa. Não era ELE quem pedia, era EU - não há personagens. há situações que se repetem, que se enfincam.

RECOMEÇO.

Pedi insistentemente para ser suportado, pressentia o risco do estilhaço, mas o embaço, palavra grotesca, perturbava meus olhos. Arrisquei-me a falar, e há qualquer coisa na voz que é vidro também. A voz treme, e dos meus olhos jorraram água e areia.

Cobri meu corpo de areia. Deixei os olhos expostos, justo para ter a clareza de que voce realmente partira.

Parti-me. Meu corpovidro estilhaçado, meus olhos míopes sem lentes tombaram. Toda queda é uma pequena morte, uma espera.
Ali, esperava apenas minhas lentes, ou um pedaço de vidro que me fizesse olhar aquilo que deixei escapar.

domingo, 3 de julho de 2011

uma conversa sobre tatuagens

Ainda não sei se consigo sentar ao teu lado, abrir o estômago, embrulhar o estômago. Desaprendi a dirigir como perdi novamente o controle. Meus ossos, tão rígidos se tornaram frágeis como aquela banal conversa sobre tatuagens e furos nas orelhas.

Não há amor sem palavra, e segundo aquela autora que você ainda não conheceu, toda palavra é tatuagem. Você falava de brincos e tatuagens enquanto meus órgãos, visceras e coração passeavam em roda gigante pelo meu corpo. A clichê espressão "o coração que sai pela boca" tornou-se carne.

Não há amor sem tatuagem, vc me disse então. E logo em seguida perguntou se minha pele era lisa, quero dizer, sem desenho algum, por medo de amarcair.

Não ha amor sem cicatriz, te respondi. E ali mesmo, tirei minha blusa e lhe mostrei cada marcamor que tive pela vida

quarta-feira, 22 de junho de 2011

mon coeur est une faute d'ortographie

une faute.

um texto em primeira pessoa


Atendi o telefone, e tive a estranha sensação de que nada existia, uma voz sem som do outro lado mostrava a desenvoltura de quem come um sanduiche e fala sobre amor como se falasse de notebooks. Não havia sentidonenhum ali, pensei. Tomei o medicamento dos dias sem vontade e deitei-me.

Não queria ouvir o toque do telefone. Há vozes que não transPARECEM, há adverbios de tempo que me trovejam, mas há também aqueles adverbios de esconderijo, pouco estudado pelos linguistas, que nada entendem de corpo em colapso.
Ali, naquela zona onde eu (não) podia te encontrar fechei meus olhos, e com a boca seca e a histeria de um "bom dramatico" percebi que poderia logo te esquecer. Seus lábios escondiam espaços e mentiras.


Foto de Alessandra Araujo- I know I’ll be Safe in These Arms | 2007

terça-feira, 21 de junho de 2011

justa palavra


E enquanto Paulo se repartia em água, dor e pedra, Otávio preparava o mesmo macarrão dos dias sem vontade. Sentia incômodo e leveza. Otávio fingia o não saber. Paulo, há dois dias-meses não dormia. Otávio há 3 meses-anos procurava a palavra justa para ir embora dali


Fotografia- Rose May - Uma palavra